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Não sei quantas almas
tenho.
Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma. Quem vê é só o que vê, Quem sente não é quem é, Atento ao que sou e vejo, Torno-me eles e não eu. Cada meu sonho ou desejo É do que nasce e não meu. Sou minha própria paisagem; |
Olhando à volta, observo meu ver como quase um círculo, como um quase completo, como que num quase momento de uma musica quase perfeita; na noite fria me deleito no meu reflexo pálido de espelho antigo, as marcas da alma são quase mais tangíveis que as feridas da carne. Não mais cega, vejo.
Perdida em letras e terminada sem teorias, há um ponto de realidade obscura que mais parece um ponto de sanidade; mas quem quer a sanidade? Quem mesmo sou eu? E a música toca, toca, lenta... e toca alta e baixa. É ela, a única que sempre está. É ela, minha tradutora, minha legenda, minha devassa, sua vibração eletrônia esverdiada. É como um bip cardíaco formando toda uma linha do tempo. Eu sou meu próprio gêneses, eu sou meu próprio apocalipse, eu sou excêntrica e psicodélica, eu sou o que já passou e o que ainda está por vir, eu sou o que ninguém mais é, você é quem eu não quero ser. Sou Terra, nem céu nem inferno, e o teu veneno... ah, o teu veneno, o teu sangue, não serve nem de antídoto pro meu amor, é fraco, pequeno, insignificante.
Feche os olhos e sinta, perceba minha respiração cansada, ouça meu coração perder o rítimo, sinta meu suor, meu corpo cansado, minhas roupas rasgadas no corpo e as pessas inteiras no chão; sente o que te aflinge, essa minha irremediável loucura, meu sorriso desvairado, tão descabelada, e meus olhos fixos em você... como quem vê mais do que você gostaria, eu vejo através de você.
E ali, a lua queimando em sol sabe, que uma parte da minha alma acaba de pousar na terra, uma das minhas faces é exposta e, de tão inebriantemente desconhecido me faço indecifrável, irreconhecível e inesquecível.
Uns homens provaram da maçã, outros provaram da mulher, outros desejaram ouro; pobres homens, tão diferentes e tão iguais... meros. Foram muito longe procurar em outras almas, em outras luas o que mais fortemente desejavam, mas não olharam pras suas próprias almas... tão cobertas de tudo, tão brutas e rudimentares... era só disso que eles precisavam, mas eles não sabiam.
Fiz de minha alma tudo que quiz; fiz e faço, me desenho e sou todas elas, tantas que em uma só expande, excede e explode... confundo em tudo que faço e não me explico, não sou flor, não sou sombra, não sou veneno, não sou nada a não ser "tudo sem explicação". Sou fruto de bondade, maldade, egísmo, sujeira, luz, nublado e verão... sou nada do que tive que ser - apenas fingi - sou e sempre fui tudo o q eu quis ser e incluise fui o nada, uma folha branda, suja marcada mas sem nada escrito... que mesmo em face de qualquer grafia na escência já é ela mesma. Somando pra mudar, mas não mudando pra deixar de ser.


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