Difícil é olhar pra dentro e aceitar que todos os homens do seu passado não poderiam ser seus príncipes encantados, que eles também não vão desaparecer por longos anos e voltar mudados ao seu encontro, porque isso também não acontecer. E fica meio doloroso olhar pra dentro e ver um coração vazio e desértico, sem expectativas; só oque resta é a esperança mais caracterizada como fé, crendo sem ver, sem ter motivo, sem absolutamente nada. Então você olha em volta, vê pessoas incríveis, amigos maravilhosos mas não é assim, não é uma fórmula é só uma falta.Fico me perguntando "Por que ando tão vaga?", eu sempre fui tão feliz comigo mesma... Sempre fui uma pessoa de poucos amores - mais justo seria dizer 'raros' - ; venho vivendo em paz com isso, e a felicidade tem caminhado comigo então, por que justo agora, eu e minha amiga, estamos passando por essa crise? Eu andei rindo das minhas desilusões a cada esquina, a cada livro e muito mais a cada novo sonho; as desventuras dessa prosa fora comentadas sorrindo e entendendo que o que viria depois seria mais interessante... Essa é a minha forma de viver e me desiludir. Colhi flores em cemitérios, era o melhor que eu podia fazer frente à morte de cada encanto; belos buquês pela casa.
Quando olho pra trás é tudo tão leve e pleno, "Viva minha loucura desmedida!" que me trouxe até aqui. Mas o que fazer agora que alguma coisa aqui dentro tá doendo? Acho que as minhas histórias riram de mim tanto quanto eu ri delas; meu primeiro grande amor foi o melhor, o mais gostoso e mais perfeito, era honesto e equalizado mas, era proibido e quando eu tive a famigerada permissão ele mudou de estado. Com essa pausa de quase-uma-vida encontrei um outro amor; bruto, forte, intenso... foi o amor mais doloroso de todos, me adoeceu mas era meu, eu tinha certeza e me servia como alicerce e antídoto anti-solidão. Mas de tanto doer eu preferi deixar passar, acreditando que o tempo seria como água diluindo o sangue até limpá-lo sem deixar manchas no carpete da sala. Ainda havia um amor na manga, no passado, onde eu me escondia e me permitia acreditar que como "tudo tem um tempo certo", um dia a hora chegaria. E então, quando anos mais tarde voltamos a nos ver, foi a vez do destino rir de mim, ele não era mais a pessoa pela qual eu passei a vida até ali apaixonada, e eu tbm já não devia ser a mesmo menina de antes - na verdade não era -, tinha muitas marcas ainda abertas, feridas em carne viva... não era a MINHA hora. E então, foi o fim; percebemos que já tínhamos vivido tudo oque tínhamos pra viver e que, não sabíamos como seria o futuro mas, certamente, não seria mais como imaginamos anos antes em frente à mesma praia. Respirei bem fundo e segui em frente.
No fundo, a gente sempre segue em frente... é assim que tem que ser. Ao invés de reclamar da vida porque não aproveitar; até essa dor se aproveita. Aproveito e a faço passar... É engraçado pensar que existe mais de mim dentro de mim e que nem eu mesma sabia. ^^

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