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quarta-feira, 2 de março de 2011

Andar fica muito chato quando a gente aprende a voar – mas…voar e arriscar cair ou continuar com os pés no chão?

Quando comecei a escrever o título desse post eu tinha algumas certezas em mente mas, como de costume, basta um momento pra mudar muita coisa…

Pensei em falar hoje sobre a insegurança do vôo, sobre o medo de cair e que, andar com os pés no chão não necessariamente é uma coisa ruim. Vislumbrei as inumeras oportunidades de vôo novas que poderiam me aparecer enquanto eu ando com a realidade, pensei que caso eu optasse por voar agora eu estaria abrindo mão dessas oportunidades – mas, o que eu estou fazendo nesse momento? Estou justificando o meu “abrir mão”, estou tentando dar sentido e justificar o meu verdadeiro medo de voar.

Chega a ser cruel comigo mesma ter que assumir que EU ESTOU COM MEDO DE VOAR, ESTOU COM MEDO DE CAIR, porque é muito mais fácil eu aprovar o risco quando ele não me importa verdadeiramente, quando a queda não faria a minha alma doer. É um pavor, um frio, um calor que eu recuso, renego… são pensamentos que eu disperso e por aí vai.

Não voar agora me faz pensar que “por que mais tarde eu voaria?” a aportunidade está na minha frente, nas minhas mãos e eu to dispensando a força que ela faz. Chega a ser ilógico dizer tudo isso pra mim mesma, talvez até doentio pra mim; deixo o medo suprimir a coragem ou aceito o desafio?

É lógico que existe um coro gritando dentro e fora de mim pelo risco, é óbivio que todos que lerem esse post vão esperar de mim a coragem e ela irá ganhar com larga folga, deixando lugar apenas para uma meia dúzia que eu mesma classifico como amargos ou mal amados ou sofridos. Mas o fato é que a vida não é como nos filmes – pelo menos não sempre –, não necessariamente na hora “H” ele entrará no aeroporto e me chamará nos auto-falantes… e eu nem sei exatamente o que eu queria… mas certamente queria que ele soubesse QUEM SOU EU de uma forma mais ampla, de uma forma mais “eu”.

Um trecho de um livro de Paulo Coelho – escritor que eu nem mais leio tanto – que fala sobre uma prostituta diz o seguinte: “Os homens que despertaram o meu corpo não conseguiram tocar minha alma e os que tocaram a minha alma não despertaram o meu corpo” (Onze minutos). É lógico que isso é um tremendo absurdo e exagero drástico PARA MIM, quando me refiro a mim mesma e à minha vida; mas de fato não posso negar que ele conhece o meu corpo como nenhum outro jamais se quer viu, embora ele mesmo não saiba, ele não conhece a minha alma. Para ele eu me limito a uma pessoa comum e louca – eu acho – mas GRAÇAS A DEUS não posso etr certeza e mais, espero fazer isso mudar não fosse pela minha falta de jeito quando o vejo, nada típica de mim.

Ele talvez não saiba pontuar nenhum dos meus defeitos, bem como desconhece a minha comida favorita e o amor que eu tenho por animais, ele não sabe ler os meus olhos, não sabe que eu entreguei a ele meu corpo mas resguardo a minha alma; ele nem suspeita que eu escrevo sobre ele, e que eu bloqueio cada pensamento nele com medo de me apegar a mais coisas ainda – com as que eu já tenho não fossem suficientes –. Eu queria que ele ouvisse uma música capaz de dizer tudo e me descrever, eu queria que tivessem escrito essa música porque eu arriscaria cantarolar ela no carona do carro dele na esperança de que ele escutasse e prestasse a devida atenção. Como eu queria poder dizer pra ele exatamente o oposto do que ele diz, ao invés de desligas dizendo: eu quero saber isso tudo mas você só responde se você quiser porque nós não temos nada, você não é obrigada, mas eu queria muito saber. EU queria poder dizer ao desligar: eu não quero saber nada, você não precisa falar o que você não quiser porque eu não te encheria de perguntas mas eu gosto mesmo de você, e isso é o começo de tudo e, pra mim, tá bastando. Não tem nada que eu queria saber muito a não ser se sou o mesmo pra você.

rsrsrrs

Mas como contar isso pra ele, onde foi que eu esqueci o jeito de direcionar pra esse caminho? Fiz tantas pessoas se apaixonarem e me senti um monstro quando não pude corresponder mas, mesmo assim, viquei envaidecida no início de cada paixão; COMOO – pausa pra respirar e me acalmar – como, eu não sei fazer isso com ele. GENTE EU SÓ QUERIA SER EU MESMA, SER NATURAL. Queria contar minhas piadas sem graça e dane-se se ele iria rir ou não, queria dizer os melhores e os piores livros que ue já li, queria que ele olhasse pra mim e visse que sou diferente, que não sou como a maioria das meninas; quer sou louca é só um mero detalhe, como um glassê no bolo – gostoso mas não é tudo.

Queria poder ter dito pra ele, hoje no telefone, que eu senti falta da ligação dele o dia todo e que eu achava que ele não me ligaria – e ainda acho – se eu não tivesse tomado a iniciativa, queria ter dito que hoje era pra ele ler o meu post do face porque eu estava mesmo me sentindo sozinha sem ele. Queria ter dito que eu desejo a ele uma boa viagem, que é uma pena eu não poder viajar com ele porque meus pais não entenderiam e que, eu sinceramente espero que ele não fique com ningué, que ele pense em mim todas as noites e todos os dias; queria que ele pensasse me mim quando comece batata frita com aquele queijo nojento que eu detesto e que ele gosta. Não sei nem quando ele lembra – ou se lembra de mim – ao longo do dia dele. Não o culpo. Afinal, não permito que ele me conheça.

Queria terminar esse post, que eu sinceramente poderia passar a noite escrevendo, dizendo que mesmo não sabendo o que eu sinto por ele, e o que eu quero, eu não sei nem se essas dúvidas realmente existem ou são apenas fruto de um muro que eu criei pra manter as pessoas longe da minha alma e eu não o quero mais mas agora, como derruba-lo?

SDC10862

“…Porque todo mundo sabe
que ninguém tem certeza
como fazer dar certo
ou amenizar a dor
já ouvimos isso antes
todo mundo sabe
como concertar tudo
mas ninguém tem certeza …”

 

 

 

 

 

 

 

 

É um costume da maioria das meninas terem sonhos de mulheres
desde pequenas nos vestimos do sonho nos sapatos de nossas mães
não temos medo, nem pensamos em obstáculos
treinamos dia a dia para o objetivo

Sempre tão treinadas para sermos MULHERES que
quando nos vemos meninas sentimos medo
quando nos vemos meninas nos escondemos e coramos
e eles adoram
depois disso, mulheres outra vez

Queria hoje poder ser pra ele a minha adolescente
queria a coragem de ligar só pra ouvir a voz
e a impetuosidade de me jogar e dizer: ei cara, eu curto demais você
o modo como vc dirige me impreciona
você tem o tom de voz do meu ator favorito e se eu fechar os olhos…
ah, se eu fechar os olhos,
é estranho o como eu preciso reabri-los pra ter certeza
que você ainda está aqui

O seu doce é o segredo que alimenta a minha juventude
quando tanta gente quer mudar e amadurecer
eu me apego a você porque perco o chão
porque não faço a mínima idéia do que dizer a você
porque talvez eu não te ligue de madrugada
mas com certeza te atenderia sem reclamar

Você me desnorteia e me direviona pra um lugar dentro de mim
que eu conheço já, mas que não visito já faz um tempo
você me mostra imatura e adolescente
e por mais que eu tenha buscado isso de volta em mim
fico tonta só de pensar que não me lembro das palavras perto de você

Quem te deu o direito de me fazer corar?
Quem vai segurar meu coração nas mãos
quando você souber de tudo isso e muito mais?

“-eu só quero saber, mas você não precisa responder
não temos nada a final” é o texto errado
”- eu não quero saber de nada, me conte apenas o que você quer
porque eu gosto muito de você”
O que será que você me diria?
por hora me limito a concordar com vc e, depois de alguns segundos de silêncio

tu tu tu tu tu tu tu tu

(Amanda Patrocinio – 02/03/2011)

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