Muitas coisas a gente acha sem nem perceber que havia perdido até que de repente... olha o q eu achei!? E lá está; algo que você considerava inestimável havia desaparecido por dias, talvez semanas - sabe-se lá quanto tempo, e você nem reparou. Nesse momento você se auto questiona como aquilo foi parar ali ou melhor, como você foi capaz de deixar aquilo se perder; como teria feito caso aquilo desaparecesse de vez e não mais fosse encontrado? São muitas perguntas, mas o fato é um só: - Você não deu falta da tal coisa inestimável, e esse fato leva a uma conclusão, aquilo não era tão importante quanto você supunha.
A vida é feita de momentos como esse, pequenos em suma mas que têm muito a dizer e ensinar. Quantas vezes destilamos importâncias variadas e criamos elos inquebráveis sem avaliar o quão essencial realmente são. Somos todos assim, com pessoas, com animais, creio que com tudo de um modo geral; temos por hábito pensar e agir assim sem esquecer de julgar negativamente que não o seja. Há quem crie muitos elos e que não os crie, um ou outro, tanto faz, certamente não acerta na medida; certamente nenhum de nós acertamos - o que também não é nenhuma novidade.
O que torna essa vida, na minha opinião, tão única e exclusiva são as nossas "desmedidas", desmedida maneira de amar, desmedida maneira de se apegar, desmedida maneira de torcer, desmedida maneira de ser. É importante buscar equilíbrio para tanto 'des' até mesmo para nos aproximarmos da serinidade individual e particular. Não deixaremos de ser quem somos e nem de cometer excessos unicamente porque sabemos que são excessos, mas é demasiado importante esse processo de exagero, reconhedimento e aceitação ou reinvenção.
Sendo os seres mutáveis que somos acabamos por não observar a parte que jamais se altera, a parte que, como dizia Ferreira Gullar:
"Uma parte de mim é permanente:
outra parte se sabe de repente"
Não há muito mais o que se dizer, apenas que não sabemos nada, ou talvez saibamos tudo, não sei, e quem sabe?
ps.: mas a guardanapo que eu achei no bolso da minha calça, com um telefone de um menino, escrito em lápis de olho marrom não me tem outra utilidade agora senão secar a barca d'água que meu copo deixou na estante; fim do que certamente um dia foi o papel mais importante da minha noite... que já nem mais sei quando foi!

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